Você voltou quando eu tinha saído para te procurar(...)
A única coisa que botei na boca desde que saiu foi café instantâneo, até que acabou, e água.(...)
Eu quero ir embora(...) Sozinha,... me registrarei sob um nome falso num pequeno hotel da costa...
Anna - Jones...A arrumadeira será uma velhinha...que sempre me falará do neto.Eu sentarei em uma cadeira, enquanto ela fala do neto e arruma a cama. O quarto estará na penumbra, fresco e cheio do murmurio dachuva. Eu receberei um cheque...A velhinha trará livros e minha roupa lavada. Eu nunca serei forte, mas depois de um tempo terei energia suficiente para caminhar na calçada ,passear na praia...haverá uma estação de chuva
chuva...chuva...chuva...
Não me importarei de ficar ouvindo apenas a chuva...Não terei conciência da passagem do tempo...De vez em quando irei ao cinema...Lerei livros e os diários de escritores mortos. Essa minha amizade com poetas mortos será doce e refrescante, porque não terei que responder suas perguntas. Dormirei com o livro ainda entre os dedos e
choverá...
Acordarei e ouvirei a chuva, e voltarei a dormir.
Uma estação de chuva, chuva, chuva...
Então um dia, quando tiver fechado um livro ou voltado sozinha do cinema - Olharei no espelho e verei que meu cabelo ficou branco. Passarei a mão sobre meu corpo e sentirei o quanto fiquei leve e magra.
Oh, como estarei magra.Quase transparente. Quase irreal. Então saberei, de modo vago, que estava morando nesse quarto de hotel, sem nenhuma relação social, responsabilidade, ansiedades ou perturbações de qualquer tipo - por quase meio século. Nem sequer me lembrarei dos nomes das pessoas que conhecia antes, nem da sensação de ser alguém esperando por alguém que - talvéz não venha...Então saberei...que chegou o momento mais uma vez, de caminhar sozinha, com o vento forte batendo em mim, o vento limpo e branco que vem do princípio do mundo, ainda mais além do que isto, vem do princípio do espaço, ainda mais além de qualquer coisa que haja além do princípio do espaço...- Então saírei e andarei sozinha...e serei empurrada pelo vento e ficarei pequenina, pequenina.
Pequena, pequena, pequena, e mais pequenina e pequenina! - Até que finalmente não teria mais corpo e o vento viesse me tomar em seus braços brancos e refrescantes para sempre, e me levasse embora!
Quero ir embora. Quero ir embora(...)
T.W.
Fala Comigo Doce como a Chuva
Ontem eu tive a sensação de ter te perdido de vez. Sabe aquelas frases de duplo sentido que entram na sua cabeça, e te fazem mal só de pensar. Pois bem foi terrível imaginar que realmente estivéssemos separados.
Até então levei tudo muito na esportiva, eu ainda posso dizer que espero que um dia você apareça-me aqui no nosso horário marcado e eu possa voltar atrás. Mas ontem eu tive essa certeza de que você não aparecerá. Como se jamais eu fosse te rever naquele beco que nos conhecemos, e quase sempre eu passo naquele lugar só para cruzar os dedinhos e esperar que você me apareça. Mas não acredito que se terá mais coincidências deste tipo. E o pior é não saber que reação eu teria se você estivesse a minha frente. Não sou mulher para te encarar.
Eu tentei me policiar sobre o amor. Fingir que ele não existia, e foi neste momento que eu estava lá, a pouco menos que um ano, ao lado de alguém que parecia ser contra tudo que eu imaginava dos homens. Alguém que parecia realmente me dar a atenção que eu buscava, que me dava o carinho que não tinha recebido antes.
Hoje, como diz uma letra: “Nem o diabo te reconheceria”. Não precisaria ser tão radical, mas é um pouco assim que funciona. Tudo caiu ao chão, já não o vejo a tanto tempo que até parece que faz parte de um passado longínquo. Mas não. Ainda, só de vez em quando, quando estou no meu quarto, quase a dormir, ainda sinto algum tipo de vestígio de perfume no ar, que não existe, mas parece tão colado a mim. Um abraço, que sempre que sinto aquele aperto, eu me pergunto onde falhamos. E eu respondo: Assim que começamos a deixar de levar a serio nossas próprias questões.
Se eu voltaria no tempo para consertar e ainda estar ao seu lado? Não.
Se eu quero você de volta? Não.
Você me quer de volta? Tenho certeza que você não vai querer, e que sua vida está melhor sem mim.
Acho que o Diabo pode não te reconhecer, mas eu Sim.
Olá meu caro conhecido,
Que tão pouco devo dizer conheço, pois não tenho esse poder, essa alegria ou esse mal de conhecê-lo. Escrevo-te porque me fere acreditar que deixei tão mal entendido a nossa relação (se é que exista alguma) e que deve estar com um pensamento muito errôneo de mim.
Quero começar esclarecendo o equivoco não te olhei nem dei a insinuar interesses por você primeiramente, foi tudo uma questão de uma amiga que estava ao meu lado e me disse isto, enquanto a minha mente vagueava em outros cantos, que eu não seria capaz de notar nada.
Coincidentemente os fatos foram ocorrendo e acabei por me deparar por você vagando a procura de alguém, e nem minha mente infantil e que tanto gosta de platomizar as coisas, acreditei que pudesse estar a procura de meu olhar. Inocente eu digo, e confesso que no meio de conversas amistosas eu fui capaz de romancear com sua aparência, mas eu estava apenas me divertindo na possibilidade de encontrar com alguém no meio de um evento tão teórico, que me dava sono só de pensar em estar sentada em uma cadeira com alguém traduzindo algumas falas técnicas e redundantes.
Foi então que na minha fantasia de que pudesse estar me olhando, sai a sua procura. Sim, como um caçador vai atrás de sua presa (apesar de que dizendo assim, tudo fica tão vulgar). Quis estar em sentinela, ou abusar de uma desculpa para puxar um assunto breve, onde no Maximo eu descobrisse o seu nome.
Mas não foi isso que aconteceu, e pude ver os meus sonhos despedaçados ao vê-lo ao lado de um amigo, apontando em minha direção, e meu rosto enrubescendo instantaneamente. Não queria que fosse tão superficial assim, e confesso que ao te ver e poder te cumprimentar eu não tinha reação. Esta que estava à sua frente não era meu verdadeiro eu. Ou talvez fosse e eu não percebia o quanto minha timidez era agravante, mais do que pudesse passar em minha mente. E lá estava eu, indefesa, sozinha, com a pessoa que mais falei dela naquele dia e sem reação.
Acredito que em qualquer outro momento ou situação eu pudesse me soltar mais, porem naquele momento, nada me saia, e me senti como a verdadeira adolescente de 12 anos paquerando um cara mais velho. Dá para você me entender assim? Por favor, que suas impressões de mim não deixe você bitolado a não querer me conhecer melhor.
Esperarei sua resposta da maneira mais inusitada que conseguir, mas esperarei.
Com todo ressentimento do mundo,
N
O mágico mundo das correspondências me fascina, mesmo não escrevendo nem meia linha.
Quando eu tenho que realmente me apaixonar por um escritor, ou algum ser na historia, com certeza será lendo suas correspondências, que em parte abre, e em outra intimida saber que um ser humano é humano, ama, odeia, mente, forja, se abre para o outro.
É assim que funciona o lado aberto de meus ídolos na literatura. Posso realmente não ser a mais fã de suas obras clássicas, muito menos concordar com o que disseram ou como viveram. Mas chegará o momento, em que ele escreverá algo apenas para uma pessoa ler, seu intimo falara, poeticamente ou não, mas uma 1ª voz, que não se encontra estampada nos Best Saller, mas é muito mais viril do que se deseja passar.
Continuarei a ler cartas, talvez mais as de romances, mas ainda sim correspondências.
"Freqüentemente pensei que a melhor forma de vida para mim consistiria em encerrar-me na parte mais profunda de uma imensa caverna com uma lamparina e tudo o que é necessário para escrever. Alguém me levaria comida e sempre a deixaria longe de onde eu estivesse instalado, atrás da porta mais exterior da caverna. Ir buscá-la, de camisolão, atravessando todas as abóbadas, seria meu único passeio. Logo em seguida eu voltaria para minha mesa, comeria lenta e conscienciosamente, e depois recomeçaria a escrever. O que eu não seria capaz de escrever, nessas condições! De que profundidades extrairia o que escrevesse! Sem esforço! Pois a concentração extrema não sabe o que é esforço."
Kafka
Daqui um tempo já nem me lembrarei mais que era um dia de primavera, destes que demoram para anoitecer. Mas do que importa isso se já era altas horas da noite quando nos conhecemos. Espero que tudo isso de perca nos meus pensamentos mais recentes, porque assim não preciso mais ter um aperto no meu peito quando penso nessas passagens boas e felizes. Em breve falaremos mal um do outro para quem perguntar como éramos. Talvez você diga que eu era a traira que dava para todo mundo (ex-tem uma necessidade de dizer isso, e eu realmente gostaria que você me odiasse assim), e eu falarei que você é infantil demais para manter algo mais duradouro. Vai dar certo, você verá. Vai chegar um dia que eu terei coragem de reler nossas memórias, mas ai, quando este dia chegar, já não terá significado qualquer, porque já terei me acostumado com o final.
Ele não vai estar aqui no 12 de outubro. Será mais um destes dias que não pertenceram ao meu imaginário que de poético e bobo, fantasiaria revelo em uma dessas esquinas de Ouro Preto, segurando uma lata de Skol em uma mão e um cigarro em outra. Sendo tampado pelo amigo, alguns bons centímetros mais alto, que estava a sua frente.
Eu boba, não cairei em sua lábia tão bem destrinchada, que seria capaz de seduzir qualquer mulher que estivesse afim.
Dia 22 você estará aqui, como a um ano que celebrei minha recaída pior nesta cidade. Desta vez não quero chorar em memória de meu um ano um mês e um dia na cidade perdida.
Ontem, tarde da noite, eu fiquei olhando suas fotos no computador e imaginando se eu também não tenho grande culpa nessa minha dor. O fato de ignorar uma presença quando eu corro para revela, o fato de dizer não e não ter me arriscado um pouco mais. Um lamentar, mas que não deve ser visto como a única fuga que tenho por ter sido covarde.
Talvez isso tudo não passe de uma boa desculpa para lembrar de outubro com outra cara,e não aquela (que acabou de passar na minha cabeça) que eu costumava lamentar. Outubro agora tem um significado mais intenso e tal qual mais importante. Talvez um perfume mais marcante, destes que deixam marcas até por não usar.
Eu contarei os dias, nessa imensidão de dias que não poderei mais ver, alem de fotos em um site.

Falarei sobre os loucos, e sobre a loucura de se viver.
Quando tudo parecia belo, uma navalha corta a pele e começa novamente a sangrar, a se questionar o que me mantém aqui. Será o lugar, o clima, a sensação de algo por acontecer. Será o amor? Mas o amor não prende as pessoas.
Falarei um pouco de Lazaro, este que na escrita de Gibran me faz cada dia pensar mais nesta vida, em seus afazeres e no quanto eu preciso montar essa cena.
Lazaro vem me ensinado como viver esses momentos tão difíceis, mas que eu sei que iram passar.
Falarei sobre a minha loucura de querer persistir em coisas que minha cabeça já deixou de raciocinar. Falarei sobre mim mesma e sobre toda essa minha dor.
Percorrer um caminho, mas porque meu Deus?
Ontem ao andar pela rua, meu terço arrebentou, e deixou com que as bolinhas dele esparramassem pelo meu corpo e caíssem no cão.
“Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.”
A um ano e alguns dias em Ouro Preto, e a sensação de pertencer a essa cidade, temporariamente, mas pertencer. Ou eu pertenço um pouco a ela? Tantas cumplicidades e escolhas que fiz aqui, que acabo me tornando mais parte dela, do que ela de mim.
Chego a acreditar que o período preestabelecido para minha estadia aqui será curto demais para o que poderia oferecer, mas quem sou eu para falar de tempo, em situações tão emergentes.
O clima de Ouro Preto me surpreende a cada dia, justo pela falta de estabilidade que ele proporciona, mas também o esperar de que tudo possa acontecer.
Outro Planeta, assim é bem mais charlatão a forma de dizer, mas não deixa de ser outro planeta quando se sai de um mundo tão repressor para um tão libertador.
Liberdade é até falso dizer, ninguém vai ser livre se não quer ser livre, independente de onde estiver. Eu sei que o Céu de Ouro Preto é lindo, mas não deixa de ser só um céu, que pode ser apreciado em qualquer outra cidade, município, ou pasto.
Eu gosto de estar nesta cidade, apesar de tudo que disse ao contrario do que digo hoje. Apesar de tantas "raivinhas" que senti essas raivas e desilusões que existiriam em qualquer lugar que eu estivesse.
Gosto, e fico feliz de poder gostar de um lugar tão frio, cheio de fantasmas e que cheira a enxofre (ou algo semelhante).
Saio por ai procurando algo que não perdi, alguém que sei que não estará por onde passarei, e com o pensamento nessas pequenas coisas que não fazem muito sentindo nem para mim mesma. Um momento para deixar tudo em ordem, organizar as coisas no armário da mente, um local para estabelecer limites, o momento certo de mudar, crescer um pouco mais como pessoa, tomar decisões e acatar com o que elas correspondem.
Andando pelas ruas movimentadas de uma cidade histórica cheias de turistas que se encantam por um momento ao longo de um festival de Jazz, destes que eu esperei tanto por acontecer, para que quando acontece meu corpo está cansado e sofrendo alterações demais para que eu possa dar valor a acontecimento.
Alguém passa por mim, não saberei responder seu nome, sua idade, sua raça, seu tamanho. Apenas que seu perfume é o mesmo de alguém, e com esse aroma me tomo conta de que estou voltando para casa, e que não terei esta companhia por mais esta noite, e de quanto a ausência de alguém é grande quando ela realmente existe.
