Eu gosto de alimentar romances platônicos, bem antes mesmo de saber que daria essa denominação a eles. Divirto-me em alimentar esse sentimento de cumplicidade, de um só lado, de materializar sentimentos, de criar historias: passado, presente e futuro, por pessoas que jamais saberão dessa minha mania. Geralmente gosto de saber muito pouco, quase nada, sobre estas pessoas. O importante é não me aprofundar em desvenda-las, porque a partir do momento que elas tem uma forma própria, deixam de me pertencer, e ao mágico mundo que criei só para elas e eu. Não existe um só amor platônico, e sim vários, em vários lugares, alguns que nem sei se um dia tornarei a ver, o que da mais alimento para esse sentimento, o desejo de um dia reencontra-lo, em um encontro marcado, no qual só eu saberei desse encontro.
Parece às vezes maluquice minhas, mas essas maluquices não atrapalham na minha vida sentimental, ou no rumo das coisas. Assumo já ter feito isso subir a cabeça, quando mais nova, e ter sido fiel a um amor mais que platônico por anos a fio. Mas o tempo passa e hoje, se me interesso por um sujeito que nem ao menos o nome sei, e dele faço de inspiração, nem que seja por milésimos de segundo para me sentir uma tola apaixonada pela vida, não vejo mal em as vezes repetir isso. O que pode assustar é meu desprender de não querer saber sobre eles. Meus amores platônicos são só para mim, para quando já não tiver mais por onde correr, me iludir com a idéia de um coração batendo mais rápido, a respiração mais eufórica, e acreditar em tudo isso, porque o mistério paira na cabeça de alguém. Não gosto de conhecer as pessoas, elas deixam de ser os seres fantásticos que reinam na minha cabeça, para se tornarem mortais. Talvez seja por isso que meus poucos amores platônicos nos quais convivo com eles, apesar de saber muito sobre os mesmos, adquiriram ao longo de suas vidas uma capa que deixam muito pouco transparecer de si próprios.
E por falar em amores platônicos, por esses dias (jamais falarei qual), em fevereiro ainda, foi aniversário de um dos meus grandes amores platônicos, no qual descobri, depois de muito choro nessa vida, que o que sinto por ele é mais do que qualquer limitação da minha imaginação, ou aproximação de caráter sexual. Ele é para mim o mais próximo de um irmão que eu posso ter, apesar que jamais ter tido um de sangue. A minha felicidade, muitas das vezes é influenciada por essa pessoinha, que faz os meus dias felizes só de pensar que ele está vivo, mesmo não tendo ao meu lado. Tenho uma foto, que nem ele mesmo sabe da existência, que fica no meu mural de imagens, ao lado da minha cama, e quando alguém me pergunta quem é, eu respondo orgulhosa: Meu Irmão! (deixa ele saber disso).
