
Falarei sobre os loucos, e sobre a loucura de se viver.
Quando tudo parecia belo, uma navalha corta a pele e começa novamente a sangrar, a se questionar o que me mantém aqui. Será o lugar, o clima, a sensação de algo por acontecer. Será o amor? Mas o amor não prende as pessoas.
Falarei um pouco de Lazaro, este que na escrita de Gibran me faz cada dia pensar mais nesta vida, em seus afazeres e no quanto eu preciso montar essa cena.
Lazaro vem me ensinado como viver esses momentos tão difíceis, mas que eu sei que iram passar.
Falarei sobre a minha loucura de querer persistir em coisas que minha cabeça já deixou de raciocinar. Falarei sobre mim mesma e sobre toda essa minha dor.
Percorrer um caminho, mas porque meu Deus?
Ontem ao andar pela rua, meu terço arrebentou, e deixou com que as bolinhas dele esparramassem pelo meu corpo e caíssem no cão.
“Sou um estrangeiro neste mundo.
Sou um estrangeiro, e há na vida do estrangeiro uma solidão pesada e um isolamento doloroso. Sou assim levado a pensar sempre numa pátria encantada que não conheço, e a sonhar com os sortilégios de uma terra longínqua que nunca visitei.”
A um ano e alguns dias em Ouro Preto, e a sensação de pertencer a essa cidade, temporariamente, mas pertencer. Ou eu pertenço um pouco a ela? Tantas cumplicidades e escolhas que fiz aqui, que acabo me tornando mais parte dela, do que ela de mim.
Chego a acreditar que o período preestabelecido para minha estadia aqui será curto demais para o que poderia oferecer, mas quem sou eu para falar de tempo, em situações tão emergentes.
O clima de Ouro Preto me surpreende a cada dia, justo pela falta de estabilidade que ele proporciona, mas também o esperar de que tudo possa acontecer.
Outro Planeta, assim é bem mais charlatão a forma de dizer, mas não deixa de ser outro planeta quando se sai de um mundo tão repressor para um tão libertador.
Liberdade é até falso dizer, ninguém vai ser livre se não quer ser livre, independente de onde estiver. Eu sei que o Céu de Ouro Preto é lindo, mas não deixa de ser só um céu, que pode ser apreciado em qualquer outra cidade, município, ou pasto.
Eu gosto de estar nesta cidade, apesar de tudo que disse ao contrario do que digo hoje. Apesar de tantas "raivinhas" que senti essas raivas e desilusões que existiriam em qualquer lugar que eu estivesse.
Gosto, e fico feliz de poder gostar de um lugar tão frio, cheio de fantasmas e que cheira a enxofre (ou algo semelhante).
