Ontem eu tive a sensação de ter te perdido de vez. Sabe aquelas frases de duplo sentido que entram na sua cabeça, e te fazem mal só de pensar. Pois bem foi terrível imaginar que realmente estivéssemos separados.
Até então levei tudo muito na esportiva, eu ainda posso dizer que espero que um dia você apareça-me aqui no nosso horário marcado e eu possa voltar atrás. Mas ontem eu tive essa certeza de que você não aparecerá. Como se jamais eu fosse te rever naquele beco que nos conhecemos, e quase sempre eu passo naquele lugar só para cruzar os dedinhos e esperar que você me apareça. Mas não acredito que se terá mais coincidências deste tipo. E o pior é não saber que reação eu teria se você estivesse a minha frente. Não sou mulher para te encarar.
Eu tentei me policiar sobre o amor. Fingir que ele não existia, e foi neste momento que eu estava lá, a pouco menos que um ano, ao lado de alguém que parecia ser contra tudo que eu imaginava dos homens. Alguém que parecia realmente me dar a atenção que eu buscava, que me dava o carinho que não tinha recebido antes.
Hoje, como diz uma letra: “Nem o diabo te reconheceria”. Não precisaria ser tão radical, mas é um pouco assim que funciona. Tudo caiu ao chão, já não o vejo a tanto tempo que até parece que faz parte de um passado longínquo. Mas não. Ainda, só de vez em quando, quando estou no meu quarto, quase a dormir, ainda sinto algum tipo de vestígio de perfume no ar, que não existe, mas parece tão colado a mim. Um abraço, que sempre que sinto aquele aperto, eu me pergunto onde falhamos. E eu respondo: Assim que começamos a deixar de levar a serio nossas próprias questões.
Se eu voltaria no tempo para consertar e ainda estar ao seu lado? Não.
Se eu quero você de volta? Não.
Você me quer de volta? Tenho certeza que você não vai querer, e que sua vida está melhor sem mim.
Acho que o Diabo pode não te reconhecer, mas eu Sim.
